FATORES ASSOCIADOS AO USO DE PSICOESTIMULANTES E OS IMPACTOS EM ESTUDANTES DE MEDICINA DE UMA FACULDADE NO INTERIOR DA BAHIA
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Resumo
A formação médica contemporânea estabelece um dos percursos acadêmicos mais
extenuantes do ensino superior, caracterizando-se por uma carga horária exauriente,
privação crônica de sono e uma cultura de competitividade que ultrapassa os limites
fisiológicos dos discentes (Rotenstein et al., 2016). Esse cenário de pressão por alta
performance cognitiva atua como um catalisador para o adoecimento psíquico, elevando
as taxas de ansiedade e depressão em comparação à população geral da mesma faixa etária
(Pacheco et al., 2017).
Ademais, esse panorama, tem demonstrando aumento consistente de sintomas
depressivos, ansiedade e burnout em estudantes de medicina no período pós-pandêmico,
com impacto direto sobre desempenho acadêmico e qualidade de vida (Kouros et al.,
2024; Jones et al., 2024). Diante da necessidade de gerenciar um volume denso de
informações em curtos intervalos, os estudantes tornam-se vulneráveis à adoção de
mecanismos artificiais para a otimização do rendimento intelectual.
Nesse panorama, o aprimoramento cognitivo farmacológico, ou
neuroenhancement, consolida-se como estratégia de sobrevivência acadêmica baseada no
uso de substâncias psicoestimulantes por indivíduos saudáveis. Fármacos originalmente
destinados ao tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, como
o metilfenidato e a lisdexanfetamina, são consumidos com o intuito de prolongar o estado
de vigília e potencializar a concentração (Maier et al., 2018).
No cenário brasileiro, a prevalência do uso não prescrito desses estimulantes entre
acadêmicos de medicina atinge patamares críticos, variando entre 20% e 40% conforme
o ciclo da graduação (Morgan et al., 2017; Oliveira et al., 2018). Estudos internacionais
recentes apontam que o uso não médico de estimulantes prescritos permanece elevado em
cursos da área da saúde, com prevalências variáveis entre países e associações
significativas com pressão acadêmica, privação de sono e percepção de vantagem
competitiva (Dopelt et al., 2025; Lee et al., 2025; Truitt et al., 2024).
Adicionalmente, investigações publicadas entre 2022 e 2026 indicam que muitos
estudantes superestimam os benefícios cognitivos desses fármacos, enquanto subestimam
seus riscos, especialmente em indivíduos sem diagnóstico formal de TDAH (Jones et al.,
2024). A literatura recente também associa o uso não prescrito de psicoestimulantes a
maior vulnerabilidade para uso concomitante de outras substâncias psicoativas e a piores
indicadores longitudinais de saúde mental (Kouros et al., 2024; McCabe et al., 2025).
Contudo, a busca pela eficiência sobre-humana ignora riscos neurobiológicos e
éticos severos. O consumo indiscriminado de psicoestimulantes está associado a quadros
de taquicardia, episódios psicóticos, irritabilidade e agravamento de transtornos de
ansiedade preexistentes (Faraone et al., 2021).
Por conseguinte, o potencial de dependência psicológica e a internalização de uma
lógica, reforçam um desempenho farmacologicamente mediado, na qual a competência
acadêmica passa a ser percebida como dependente do suporte químico (Scalese et al.,
2025). Essa dinâmica pode comprometer a autoconfiança do futuro profissional,
estabelecendo a percepção de que sua competência clínica é indissociável do uso da
substância (Zaparoli et al., 2019).
Nesse contexto, a pressão por resultados em um mercado de trabalho saturado
pode impulsionar a automedicação como resposta à sobrecarga acadêmica local. A
literatura internacional recente destaca que fatores contextuais, institucionais e culturais
influenciam significativamente as motivações para o uso de estimulantes, reforçando a
importância de análises regionais que considerem especificidades formativas e estruturais
(Dopelt et al., 2025). A ausência de análises sistemáticas que considerem as
especificidades deste cenário regional reforça a necessidade de investigar as motivações
e os impactos dessa prática na saúde mental de quem futuramente integrará a rede
assistencial.
Dessa forma, este estudo teve como objetivo analisar os fatores associados ao uso
de psicoestimulantes e seus impactos em estudantes de medicina da UNEX. A
identificação de padrões de consumo e repercussões na saúde física e mental poderá
fundamentar a escolha de estratégias de acolhimento e prevenção institucional mais
assertivas e adequadas.
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Palavras-chave
Citação
SANTOS, Alessandra Silva; CARIGÉ, Ana Karine Freitas Cintra; BARBOSA, Gabriella de Falcão e; RICARTE NETO, Jadson Gonçalves; TIMBÓ, Karen Marques. FATORES ASSOCIADOS AO USO DE PSICOESTIMULANTES E OS IMPACTOS EM ESTUDANTES DE MEDICINA DE UMA FACULDADE NO INTERIOR DA BAHIA. Orientador: Camille Batista da Silva Santana. 2026. 21p. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Curso de Medicina, UNEX, Feira de Santana, 2026.