FATORES ASSOCIADOS AO USO DE PSICOESTIMULANTES E OS IMPACTOS EM ESTUDANTES DE MEDICINA DE UMA FACULDADE NO INTERIOR DA BAHIA
| dc.contributor.author | SANTOS, Alessandra Silva; CARIGÉ, Ana Karine Freitas Cintra; BARBOSA, Gabriella de Falcão e; RICARTE NETO, Jadson Gonçalves; TIMBÓ, Karen Marques | |
| dc.date.accessioned | 2026-09-15T19:30:41Z | |
| dc.date.issued | 2026 | |
| dc.description.abstract | A formação médica contemporânea estabelece um dos percursos acadêmicos mais extenuantes do ensino superior, caracterizando-se por uma carga horária exauriente, privação crônica de sono e uma cultura de competitividade que ultrapassa os limites fisiológicos dos discentes (Rotenstein et al., 2016). Esse cenário de pressão por alta performance cognitiva atua como um catalisador para o adoecimento psíquico, elevando as taxas de ansiedade e depressão em comparação à população geral da mesma faixa etária (Pacheco et al., 2017). Ademais, esse panorama, tem demonstrando aumento consistente de sintomas depressivos, ansiedade e burnout em estudantes de medicina no período pós-pandêmico, com impacto direto sobre desempenho acadêmico e qualidade de vida (Kouros et al., 2024; Jones et al., 2024). Diante da necessidade de gerenciar um volume denso de informações em curtos intervalos, os estudantes tornam-se vulneráveis à adoção de mecanismos artificiais para a otimização do rendimento intelectual. Nesse panorama, o aprimoramento cognitivo farmacológico, ou neuroenhancement, consolida-se como estratégia de sobrevivência acadêmica baseada no uso de substâncias psicoestimulantes por indivíduos saudáveis. Fármacos originalmente destinados ao tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, como o metilfenidato e a lisdexanfetamina, são consumidos com o intuito de prolongar o estado de vigília e potencializar a concentração (Maier et al., 2018). No cenário brasileiro, a prevalência do uso não prescrito desses estimulantes entre acadêmicos de medicina atinge patamares críticos, variando entre 20% e 40% conforme o ciclo da graduação (Morgan et al., 2017; Oliveira et al., 2018). Estudos internacionais recentes apontam que o uso não médico de estimulantes prescritos permanece elevado em cursos da área da saúde, com prevalências variáveis entre países e associações significativas com pressão acadêmica, privação de sono e percepção de vantagem competitiva (Dopelt et al., 2025; Lee et al., 2025; Truitt et al., 2024). Adicionalmente, investigações publicadas entre 2022 e 2026 indicam que muitos estudantes superestimam os benefícios cognitivos desses fármacos, enquanto subestimam seus riscos, especialmente em indivíduos sem diagnóstico formal de TDAH (Jones et al., 2024). A literatura recente também associa o uso não prescrito de psicoestimulantes a maior vulnerabilidade para uso concomitante de outras substâncias psicoativas e a piores indicadores longitudinais de saúde mental (Kouros et al., 2024; McCabe et al., 2025). Contudo, a busca pela eficiência sobre-humana ignora riscos neurobiológicos e éticos severos. O consumo indiscriminado de psicoestimulantes está associado a quadros de taquicardia, episódios psicóticos, irritabilidade e agravamento de transtornos de ansiedade preexistentes (Faraone et al., 2021). Por conseguinte, o potencial de dependência psicológica e a internalização de uma lógica, reforçam um desempenho farmacologicamente mediado, na qual a competência acadêmica passa a ser percebida como dependente do suporte químico (Scalese et al., 2025). Essa dinâmica pode comprometer a autoconfiança do futuro profissional, estabelecendo a percepção de que sua competência clínica é indissociável do uso da substância (Zaparoli et al., 2019). Nesse contexto, a pressão por resultados em um mercado de trabalho saturado pode impulsionar a automedicação como resposta à sobrecarga acadêmica local. A literatura internacional recente destaca que fatores contextuais, institucionais e culturais influenciam significativamente as motivações para o uso de estimulantes, reforçando a importância de análises regionais que considerem especificidades formativas e estruturais (Dopelt et al., 2025). A ausência de análises sistemáticas que considerem as especificidades deste cenário regional reforça a necessidade de investigar as motivações e os impactos dessa prática na saúde mental de quem futuramente integrará a rede assistencial. Dessa forma, este estudo teve como objetivo analisar os fatores associados ao uso de psicoestimulantes e seus impactos em estudantes de medicina da UNEX. A identificação de padrões de consumo e repercussões na saúde física e mental poderá fundamentar a escolha de estratégias de acolhimento e prevenção institucional mais assertivas e adequadas. | |
| dc.identifier.citation | SANTOS, Alessandra Silva; CARIGÉ, Ana Karine Freitas Cintra; BARBOSA, Gabriella de Falcão e; RICARTE NETO, Jadson Gonçalves; TIMBÓ, Karen Marques. FATORES ASSOCIADOS AO USO DE PSICOESTIMULANTES E OS IMPACTOS EM ESTUDANTES DE MEDICINA DE UMA FACULDADE NO INTERIOR DA BAHIA. Orientador: Camille Batista da Silva Santana. 2026. 21p. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Curso de Medicina, UNEX, Feira de Santana, 2026. | |
| dc.identifier.uri | https://saber.uniftc.edu.br/handle/123456789/2189 | |
| dc.language.iso | pt | |
| dc.title | FATORES ASSOCIADOS AO USO DE PSICOESTIMULANTES E OS IMPACTOS EM ESTUDANTES DE MEDICINA DE UMA FACULDADE NO INTERIOR DA BAHIA | |
| dc.type | Article |
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